Andréa Carneiro
Viola Instrumental Brasileira
Viola Instrumental Brasileira

Mestra em Música Brasileira pela XXXXXXX, Andréa Carneiro tem formação musical diversa com graduação em Musicoterapia pelo Conservatório Brasileiro e Licenciatura pela UNIRIO. Encantada pela sonoridade da Viola, participou de oficinas com os Violeiros Roberto Correa, Ivan Vilela, Bráz da Viola e Fernando Deghi. Essas primeiras experiências conduziram sua dissertação de mestrado: “Viola – do Sertão para as Salas de Concerto: a Visão de Quatro Violeiros”.
Em sua jornada com a Viola, participa de Encontros, Festivais e Concursos, tais como: “Prêmio Syngenta da Música Instrumental de Viola” e o “Voa Viola”, nesse, com o Duo Cordas de Pareia.
Detém dois prêmios “Rozini de Excelência da Viola Caipira”: um na categoria Literatura e outro na categoria Violeira.
Pesquisar sobre a Viola e seus toques tradicionais, é de grande interesse. Assim, mergulhou nos interiores de MG, SP, BA, PE, RN, GO, PR, RJ. Trocou vivências com Mestres Violeiros e coletou seus toques que, após cuidadosamente compilados para preservar cada nota ou detalhe original, foram organizados no Livro de Partituras e CD “Viola Instrumental Brasileira” (ArtViva Editora – 2005). Reunindo 35 toques até então inéditos em publicações, esse trabalho é chamado carinhosamente por alguns Violeiros de “Velho Testamento da Viola”. Consagra a união do tradicional ao novo, ao garantir preservação de memória e compartilhamento para que horizontes se abram, se renovem ou se transformem através do fio condutor da tradição e da cultura popular.
Sua atividade musical se apresenta em trabalhos solo ou em formações diversas, como o “Quinteto de Violas Cordas Cariocas”, “Duo Cordas de Pareia”, “Comitiva Rio de Violas”, ou participação junto a outros músicos, como no show “Estrela de 5 pontas” de Turíbio Santos.
Uma parte de sua produção musical está gravada em seu álbum CD autoral “Chegança”. Participou da gravação dos álbuns Orquestra Rio de Violões, Turíbio Santos e Orquestra de Violões, Ouro Preto em Seresta – Roberto Sonair, e Violões da AV-RJ, tocando Viola nos dois últimos.
Como Diretora Musical, fez o 1º. Festival de Música do Vale Histórico em 2015, e desde 2018 dirige o festival anual “Rio de Violas - Encontro de Violeiros do Rio de Janeiro”.
Na área de educação musical, foi professora do curso de graduação em Cordas Brasileiras Dedilhadas, do Conservatório Brasileiro de Música do RJ, na disciplina Viola de 10 Cordas. Deu aulas de iniciação musical para crianças em escolas da rede pública municipal do RJ.
Incentivando a formação de novos tocadores, inclusive através de aulas particulares, Andréa é uma das principais referências da Viola no Rio de Janeiro, onde dedica boa parte de seu tempo à integração e troca de experiências entre Violeiros ou pessoas interessadas no instrumento.

Inicialmente o que mais me encantou na Viola foi a sua sonoridade. Aos poucos, já em contato com o instrumento, fui conhecendo a riqueza que a viola trazia em suas historias, seus aspectos físicos, materiais de construção, suas afinações, suas nomenclaturas, e assim por diante. Nestas “andanças” de descobertas fui me aproximando das “Musicas de Viola” que compreende desde Toques tradicionais, clássicos do cancioneiro, musicas de diferentes gêneros musicais, até as propostas de musicas contemporâneas.
A partir dessa riqueza fui organizando um estudo para a viola solo, onde o conhecimento das afinações – Cebolão em Ré (principal), Rio abaixo e Natural (eventualmente) se tornou importante para me aproximar de diferentes musicas / repertórios. Atualmente estou descobrindo a afinação Boiadeira.
Nestas descobertas de afinações e repertorio, enfatizo as composições como uma forma de aprendizado. É um momento em que ponho em pratica tudo o que venho estudando, escutando. Dessa forma, vou criando novos caminhos sonoros que fazem sentido para mim.

Viola Instrumental Brasileira é um projeto que surgiu da necessidade de registrar os toques característicos da Viola tocados pelos violeiros tradicionais, os Mestres do instrumento. Estes Mestres por vezes se encontravam “dispersos” em suas localidades, mas quase sempre eram “reverenciados” / conhecidos pela sua comunidade / região.
Antes de fazermos os registros sonoros para o livro / CD, eu já tinha feito uma viagem para o noroeste de MG (Urucuia e São Francisco). Me encontrei com alguns amigos para fazer o Giro da Folia de Reis. Esta foi uma experiência incrível!
Posteriormente retornei a esta região, conheci outras cidades, outros violeiros para já irmapeando quem eu poderia entrevistar. Neste sentido, Roberto Corrêa e Paulo Freire, consultores do projeto, foram muito importantes para que eu pudesse mapear os violeiros easdiferentes regiões do Brasil onde havia a presença da viola.
Em algum momento, mais precisamente quando fiz o mestrado, entendi que a Viola tem como uma de suas características a diversidade. O termo Viola é quase um “genérico”, que geralmente precisa de uma referencia para contextualizá-lo: viola dinâmica, viola machete, viola de 10 cordas, viola caipira, viola de cocho etc.
Com o termino das viagens, finalizamos a Pesquisa de Campo. A seleção dos toques e dos Mestresque fariam parte do livro / CDvieramlogo em seguida. A próxima etapa foi a de “organizar” o áudio, formatar o CD para posteriormente fazermos a transcrição das musicas e a digitalização das partituras.

O universo da viola, ou das violas brasileiras, apesar de tradicionalmente ligado à cultura do campo, há alguns anos vem dialogando com a música da “cidade grande”, e vem ganhando novos ares.
De uns anos pra cá, no Rio de Janeiro, violeiros profissionais e amadores começaram a se conectar, e perceberam a existência de uma cena da viola no estado, pouco conhecida, pouco explorada . Uma cena plural, onde coexistem a música caipira, o repente, o forró, a música popular instrumental, o samba, o choro e até mesmo a música de concerto.
Nesse contexto, em 2017 surge o movimento Rio de Violas, onde artistas e produtores do Rio de Janeiro passam a se reunir e realizar ações para promover a viola no estado.
Uma dessas ações, e a principal delas, é o Encontro de violeiros do Rio de Janeiro, que em 2025 chegou a sua 7ª. edição. Nestes Encontros a proposta é mostrar trabalhos de violeiros e violeiras do Rio e de outros lugares,assim como,ser um espaço de troca de experiências e saberes sobre a violachamando a atenção para a sua versatilidade e para o seu imenso valor cultural e simbólico.

Pareia é par, parceria – as cordas em par da viola, junto com as cordas de uma voz: essa a ideia que batizou o Duo Cordas de Pareia, formado por Adriana Manhani (voz) e AndréaCarneiro (viola de 10 cordas).
Foi com a intenção demostrar as muitas faces da viola brasileira que a violeira e compositora Andréa Carneiro se juntou à cantora e compositora Adriana Manhani. Desde 2008 as duas vem se apresentando em teatros, museus e eventos, no Rio de Janeiro e no interior de SãoPaulo.
Em2012 o Duo foi um dos 24 trabalhos selecionados pelo Festival Voa Viola 2ª edição, que procurou mapear trabalhos inovadores e de referência que têm na viola seu motor.
O repertório do Duo se pauta em músicas que fazem parte do repertório de canções tradicionais do 'universo da viola 'tais como Moreninha, Cuitelinho, e também canções inéditas (Canta Viola, Chegança, Vi Borboleta) ou do cancioneiro popular tendo o instrumento viola como tema (texto Desafio de Violas, Viola Violar). Além dessescritérios, a seleta de canções que fazem parte das apresentações do Duo é também escolhida em função da diversidade de gêneros musicais que apresenta. Na seleção não autoral que tocam, há , desde compositores contemporâneos, como Rodrigo Maranhão, a autores clássicos, como Catulo da Paixão Cearense.
Primeiro trabalho autoral de Andréa Carneiro, foi elaborado a partir de pesquisas realizadas no universo da viola. O contato com mestres violeiros tradicionais e contemporâneos, e com as violas de diferentes regiões do Brasil, possibilitou a compositora explorar sonoridades da viola instrumental com o violino, piano, sax, sanfona, flautas, vozes e percussões nos mais variados gêneros musicais.
Todos as composições e arranjos são de Andréa Carneiro, com contribuições dos músicos em algumas faixas e em seus respectivos instrumentos.
Participam da gravação os músicos: Leo Rugero, Augusto Bapt, Ricardo Calafate, Alfredo Alves, André Cunha, Zé Al, Glória Calvente, Leonardo Miranda, Lúcio Sanfilippo, Adriana Manhani, Aline Anandi, Leandro Braz, Maria Clara Valle, Vera de Andrade


Música tradicional dos interiores do Brasil através de seus Mestres Violeiros (ArtViva Editora – 2005)
Essa publicação, que contou com o patrocínio da Petrobrás, é composta por um livro de partituras e CD com áudios originais de 35 toques tradicionais de viola instrumental. Com prefácio de Carlos Sandroni e textos da Autora que aborda sua jornada e processo de pesquisa, o livro, em edição bilingue (inglês), apresenta ainda um breve perfil dos 11 Mestres Violeiros incluídos nesta edição: Seu Manelim (MG), Seu Minervino (MG), Toninho da Viola (SP), Ferrolho da Viola (BA), Zé Padre (MG), Seu Olegário (MG), Edisio Calixto (RN), Milo da Viola (SP), Nego de Venança (MG), Valdão da Viola (MG), Zé de Lelinha (BA).

Dissertação submetida ao Programa de Pós-Graduação em Música e Educação do Centro de Artes da UNIRIO (Agosto, 2002).
RESUMO
Este trabalho tem como proposta visualizar uma “movimentação” que está ocorrendo no universo da viola e configurá-la a partir de duas direções: como está se realizando o trajeto – do sertão para as salas de concerto? E como está se realizando o processo de ensino-aprendizagem desse instrumento? Para isso, encontramos a nossa fundamentação teórica em diferentes áreas (antropologia, educação, etnomusicologia, história, musicologia, psicologia, sociologia e métodos de viola) e entrevistamos quatro violeiros - Adelmo Arcoverde, Abel Santos, Braz da Viola e Roberto Corrêa que, através de seus projetos relacionados à viola, nos possibilitaram conhecer e concretizar um projeto coletivo. A viola, por ser um instrumento que abarca diferentes formas, tamanhos, número de cordas, nomes, materiais de construção, contextos, entre outros, tem a diversidade como uma de suas principais características, o que quase sempre nos remete à sua pluralidade como uma questão: de qual viola estamos falando? Consideramos que a viola instrumental foi o “tipo” de viola que abordamos para denominar um “produto” da interação entre as salas de concerto e a “formalização” de um ensino, portanto novos códigos, regras e valores estão sendo trazidos para o universo da viola.
Rio de Violas